06/09/20

Um mês de recomeços

Perco a conta às pessoas que dizem que Setembro é um mês de recomeços e que gostam imenso deste mês precisamente por isso. Por um lado, acho bonito. Houve a pausa do verão para recarregar baterias, e agora é hora de recomeçar, regressar às rotinas, arregaçar as mangas. Por outro lado, chateia-me e deixa-me algo triste. 

Na verdade, eu nunca gostei de Setembro, precisamente por ser um mês de recomeços e de volta à rotina. Como se eu quisesse que as férias de verão durassem para sempre. Porque era das alturas do ano em que me sentia mais feliz: não sentia pressões, não tinha obrigações, passava mais tempo sozinha a fazer o que mais gostava, não tinha que agradar ninguém nem fingir o que quer que fosse, sentia-me confortável. Regressar à escola e, posteriormente, à universidade, causava-me sempre uma enorme ansiedade por diversos motivos. E, nos últimos anos, Setembro era apenas mais um mês de trabalho como outro qualquer. A questão dos recomeços e do regresso à rotina deixou de se aplicar. 

01/09/20

Agosto

Agosto foi um mês diferente, no sentido em que soube, realmente, a verão. Permiti-me relaxar, colocar o stress e a ansiedade em pausa e desfrutar. 

Fui, finalmente, à praia e mergulhei no mar pela primeira vez este ano – sim, foi só em Agosto…nunca, em toda a minha vida, o primeiro banho de mar do ano tinha sido tão tarde! Eu convenci-me de que estava cansada de praia, mas acho que a verdade é que já não me lembrava do quanto gostava de mergulhar no mar e da sensação tão boa de leveza e liberdade que ele me traz. Mergulhei no mar não apenas na praia mais próxima de casa, como também noutras praias e noutras zonas balneares que desconhecia e que são autênticos tesouros escondidos, lugares com uma paisagem incrível onde o mar cristalino se encontra com formações rochosas tão bonitas e majestosas, que é como se estivesse noutro país. 

Mas, para mim, verão não se resume a praia, pelo que não faltaram momentos dignos desta altura do ano. Almoços em esplanadas, alguns deles com vista para o mar. Um trilho pedestre. Piqueniques românticos. Leituras no parque da cidade, à sombra das árvores. Um serãozinho em casa de uma amiga. Um cozido à portuguesa em família, tipicamente confeccionado com o calor da terra. Bons e agradáveis convívios. 

O aniversário do R. foi celebrado com uma tarde de piquenique à beira de uma lagoa e com um jantar na pizzaria italiana que conheci no mês passado. E o da minha irmã com uma festa na piscina e um convívio que perdurou. Eu e o R. também passámos juntos o dia em que celebrámos mais um mês de namoro. Foi um dia tão bom. Ele ofereceu-me flores, passeámos de mãos dadas junto a uma lagoa, almoçámos à sombra de uma árvore, pusemos os pés na água – que estava tão apetecível –, tirámos fotografias e fomos um pouco à praia. Fizemos uma caminhada junto ao mar antes e depois do jantar, da praia ao restaurante e vice-versa. A caminhada de regresso soube-me especialmente bem, depois de comer e na frescura da noite. Junto à praia, contemplámos o céu estrelado. Estava tão bonito, sem qualquer nuvem. Acho que nunca tinha visto um céu tão estrelado. 

Para além dos dias e dos momentos dignos de verão, continuei a desenhar. Desleixei-me um bocado na questão do exercício físico, mas as vezes em que o fiz souberam-me mesmo bem. E vi alguns filmes, sendo que os meus preferidos foram Interstellar – que já estava há meses para ver –, The Great Gatsby e Whisper of the Heart

Depois deste mês e de todos estes momentos, concluo que já não me lembrava do quanto gostava do verão. Porque existiram dias mesmo assim, com bom tempo, que me souberam a autênticos dias de verão, autênticos dias de férias, em que não existia qualquer preocupação. Mas, apesar de estar com as baterias recarregadas, com o começo de Setembro sinto novamente o stress e a ansiedade à espreita e a baterem-me à porta de vez em quando…

06/08/20

Julho

Julho começou bem com o dia de aniversário da minha mãe passado ao ar livre numa reserva florestal. Aliás, Julho foi um mês repleto de ar livre, de sol, de ar fresco, de esplanadas, de estar junto do mar. Não deixou de ser, também, um mês de trabalho, mas teve tantos momentos bons. Teve tardes românticas, com a melhor companhia do mundo que me faz sentir sempre tão bem, uma delas com um piquenique. Teve um dia diferente, passado longe da cidade, com direito a um almoço delicioso e a um momento de puro descanso junto a uma lagoa. Teve dois churrascos agradáveis, um deles em casa de uma amiga minha de infância com quem já não estava há meses. Já não me lembrava do quanto me sabia tão bem sair de casa e mudar de ares ou ir a um pequeno convívio. 

Em Julho, voltei a investir em mim própria e em novas aprendizagens. Continuei a desenhar, e inclusive ilustrei algumas personagens minhas, de histórias que criei. Retomei as leituras, e ainda adquiri mais uns livrinhos. Vi uma mini-série. Fui a uma pizzaria italiana que não conhecia. Prossegui com novas experiências culinárias e com novos sabores – as deste mês foram “moelas” de seitan, falafels de grão e batata-doce e um salteado de grão-de-bico com molho de amendoim. Fiz algumas comprinhas nos saldos. O filme que mais gostei de ver este mês foi The sun is also a star. E ainda trabalhei na personalização de uma caixa, que me foi encomendada – a minha primeira encomenda! 

Julho foi, assim, um mês relativamente equilibrado, e terminei-o com saldo positivo. Deixou-me, sem dúvida, com um bichinho e um gostinho de querer sair mais de casa e de aproveitar bem o verão. Agora que o consegui terminar o meu mais recente serviço, não vejo a hora de o fazer.