27/08/19

Contigo

Contigo quero andar de mãos dadas e namorar em todo o lado. Contigo quero ver o nascer do sol pelo menos uma vez, e o pôr-do-sol incontáveis vezes. Contigo quero ir ao cinema e partilhar pipocas. Contigo quero fazer passeios pela ilha que nos ocupem o dia todo e descobrir novos sítios, mas também quero passar dias contigo no sofá, enrolados numa manta. Contigo quero ir tomar o pequeno-almoço fora. Contigo quero passar fins-de-semana românticos em hotéis. Quero dias preguiçosos na piscina no verão e banhos de espuma no inverno. Contigo quero ir a concertos e dar-te a mão e abraçar-te ao som de uma música romântica. Contigo quero planear viagens e correr o mundo. Contigo quero ficar deitada a olhar para as estrelas e a conversar pela noite fora. Contigo quero tirar fotografias românticas, mesmo em sítios clichés. Contigo até quero cozinhar, mas também quero jantares de pizza ou de qualquer outra coisa que mandemos vir para comermos em casa. Contigo quero continuar a passear no meio da natureza, contigo a segurar-me a mão constantemente por eu estar sempre com medo de cair. Contigo quero fazer piqueniques. Contigo quero ir acampar. Contigo quero ir ver as luzes de Natal e celebrar a entrada do novo ano. Contigo quero ir dar pequenos passeios à noite depois do jantar. Contigo quero passar dias inteiros, com planos para o tempo todo ou sem planos nenhuns, em que o plano é simplesmente estarmos juntos. Quero acordar contigo ao meu lado. Contigo quero andar por aí sem destino, parando nos lugares que vamos encontrando pelo caminho. Contigo quero partilhar uma casa e decorá-la ao nosso gosto. Contigo quero ter alguma tradição que inventemos, como fazer panquecas aos domingos ou fazer uma noite de filmes nalgum dia da semana. Contigo quero conversar durante horas e continuar a rir-me com as tuas brincadeiras e as tuas tolices. Contigo quero partilhar tudo. Contigo quero fazer estes planos e muitos outros. Contigo quero continuar a sentir-me a rapariga mais sortuda do mundo.
Contigo quero uma vida. Contigo quero continuar a ser feliz, ou a ser mais feliz ainda.
Tudo só faz sentido contigo.

16/06/19

Desenhar o futuro

Via We Heart It.
Quero um pequeno apartamento. Um lugar bonito e bem decorado, mas quentinho, acolhedor e confortável, a que possa chamar casa. Com uma decoração simples e minimalista, com predomínio de brancos e com traços de tons pastel. Suculentas e velas perfumadas em diversos recantos e um ou outro quadro simples, que até pode ser feito por mim. Com um cantinho confortável que possa ser o meu cantinho de leitura. E, por falar nisso, com estantes onde possam estar todos os meus livros, intercalados com outros objectos decorativos. Um outro cantinho com uma mesa ou secretária suficientemente ampla e iluminada para que possa desenhar e escrever à vontade. Preferencialmente em frente a uma janela com uma vista agradável. Quero que tenha uma pequena varanda, com espaço suficiente para poder colocar uma mesa e cadeiras onde possa tomar o pequeno-almoço numa lenta manhã solarenga ou jantar nos longos finais de tarde do verão, admirando as mudanças de cor do céu e observando a chegada da noite. E quero que haja um quartinho onde possa ter toda a minha roupa e calçado organizados, como um closet. Haverá música a tocar pela casa a quase toda a hora. E, provavelmente, existirá um ou outro gato.

Quero um emprego simples e onde me sinta bem. Onde me dê bem e cujo ambiente me agrade. Que me permita ter o tempo livre que mereço, e não que me faça viver apenas para o trabalho. Estes são, para mim, aspectos mais importantes do que o dinheiro que dele poderá advir. Paralelamente, fazer alguns trabalhos de desenho para fora. Pequenos quadros, simples e amorosos, e coisas mais ambiciosas como cadernos e canecas personalizados e calendários com desenhos meus. Quero, ainda em paralelo, voltar a escrever e ver os meus eventuais livros publicados. Gostava que o desenho e a escrita fossem o suficiente para poder viver de forma estável, mas sei que isto já é sonhar demasiado alto. Ficarei contente se conseguir simplesmente manter estes dois hobbies durante a minha vida.

Quero dividir esse apartamento e iniciar uma vida a dois. Quero que, durante o tempo que passarmos juntos dentro das quatro paredes, existam apenas risos, sorrisos, conversas agradáveis e discussões saudáveis, felicidade e amor. Mais do que ter um lugar a que possa chamar casa, quero estar todos os dias com a pessoa que me faz, de facto, sentir em casa, e viver um amor digno de uma história.

Quero um grupinho de amigos, amigos verdadeiros e de confiança, companheiros de jantaradas, de brunches, de aventuras e de viagens.

Quero passar tardes acompanhada no sofá a planear viagens românticas ou em grupo. Quero viajar muito e com frequência, conhecer lugares que hoje me fascinam pela sua cultura, pelo modo de vida dos habitantes, pelas paisagens e pelas fotografias que vejo, e fazer pequenas escapadinhas na minha própria ilha de vez em quando. Aproveitar melhor o lugar onde vivo e adoptar novos hábitos. Tais como comprar produtos num mercado numa manhã, estar mais em contacto com a natureza ou sair de casa para ir apenas dar um passeio a pé numa praia.

Quero ser capaz de quebrar a rotina; ter tempo livre e não viver nem para o trabalho, nem em função da casa e dos afazeres domésticos. Quero que até os dias de trabalho sejam diferentes de vez em quando, com um jantar fora, uma ida ao cinema ou um simples passeio nocturno. Quero ter manhãs lentas em dias de folga, com pequenos-almoços diferentes do habitual ou ficar a ler pela manhã fora com uma grande caneca de chá. Quero estar em constante movimento e aprendizagem, fazendo cursos e formações e aprendendo mais dentro da minha área ou acerca de outras totalmente diferentes. Quero uma vida estável, confortável a nível financeiro e sem problemas no que toca à saúde. Quero aproveitar mais a vida. E ser feliz.

12/05/19

Desencanto


Sempre fui da opinião de que um curso superior não dita o futuro de ninguém. De que, lá por termos um “diploma”, não quer dizer que tenhamos um futuro garantido. Não é certo que tenhamos um emprego, de sonho ou não, naquela área em que nos formámos. Nem sequer é certo que tenhamos um emprego numa área semelhante ou que tenhamos um simples part-time. Claro que a grande maioria das pessoas que deseja tirar um determinado curso sonha em trabalhar na área em que se formou. Mas nada é garantido.

Eu não faço parte desta grande maioria por diversas razões. Nunca soube o que queria; não entrei no curso que tinha colocado como primeira opção; não desenvolvi aquele sentimento de amor ao curso; entre outros motivos. No entanto, o curso estava na minha vida e fazia parte da minha rotina e do meu dia-a-dia, e, tal como uma pessoa com quem somos obrigados a estar e a conviver todos os dias por alguma razão, criou-se uma espécie de relação de conformismo e um Vamos ver no que isto vai dar. Na verdade, houve alturas em que achei a área interessante. Mas também houve muitas alturas em que achei que talvez não fosse para mim. Seja como for, nunca houve aquele amor ao curso, ou à área. Amor é uma palavra muito forte. Houve uma simpatia, por assim dizer.

E, aliado ao pensamento de que um curso superior não ditaria o meu futuro, surgiu um outro: o de que não sou, nem devo sentir-me, obrigada a trabalhar na área em que me formei, apenas por ter um “diploma”. Portanto, o bendito diploma, aquela listagem infinita de cursos superiores e os maravilhosos títulos de licenciado, mestre e afins que ficam bem no currículo, não são garantia de uma boa vida e não nos forçam a trabalhar naquela área em específico. Devido a este pensamento, devido a nunca ter sabido o que queria da vida em termos profissionais e devido ao facto de não ter tirado o meu curso de sonho e de não me ter formado na área que mais me atrai, nunca pus de parte a hipótese de ter outro tipo de trabalho e de trabalhar numa área completamente diferente.

É verdade que, com o tempo, com a prática, com o meu próprio crescimento e com a aquisição de novos conhecimentos – e até com a aquisição do gosto em adquirir novos conhecimentos – a minha área de formação, a nutrição, interessou-me. Não deixava de ser apenas uma relação de simpatia, é certo, mas interessou-me. Continua, aliás, a interessar-me, pois, apesar de tudo, continua a fazer parte de mim. Aquilo que aprendi continua em mim; continuo a trazer os meus conhecimentos para a vida real e para o meu dia-a-dia, mesmo que o faça instintivamente e sem me aperceber; continua a ser como que um porto seguro, um plano de recurso que poderei sempre resgatar a qualquer momento. É algo que ninguém me tira. Mas desencantou-me.