09/06/20

Diários da quarentena #5 - E agora?

E agora a quarentena acabou e esta será a última publicação desta série – e eu espero que nunca mais se venha a falar em quarentena. E agora os Açores estão livres de Covid-19 e eu fico mesmo contente por isso, mas cheia de medo de que abram os aeroportos e tudo volte atrás. E agora estou farta que se falem em máscaras e em distanciamento social e em priorizar a economia e que tudo gire à volta do dinheiro.

E, entretanto, pedem-nos para retomar a normalidade e regressar à normalidade. O problema é quem não tem uma “normalidade” a que regressar. Quem já não tinha uma vida “normal” antes da pandemia.

02/06/20

Maio

Maio passou a voar e foi mais um mês de incertezas e sem expectativas. Porém, com muitas coisas boas.

24/05/20

Coração Negro, de Naomi Novik

Sinopse: «O nosso Dragão não devora as raparigas que leva, independentemente das histórias que possam ser contadas fora do nosso vale. Ouvimo-las, por vezes, de viajantes que por aqui passam. Falam como se estivéssemos a fazer sacrifícios humanos e como se ele fosse um dragão verdadeiro. Claro que isso não é verdade: ele pode ser um mago imortal, mas não deixa de ser um homem, e os nossos pais juntar-se-iam e matá-lo-iam se ele quisesse devorar uma de nós a cada dez anos. Ele protege-nos contra o Bosque e nós estamos-lhe gratos, mas não assim tão gratos.»


Agnieszka adora a sua pacata aldeia no vale, as florestas e o rio cintilante. Mas o maléfico Bosque permanece na fronteira e a sua sombra ameaçadora paira sobre a vida da jovem.
O povo depende do feiticeiro conhecido apenas por Dragão para manter os poderes de Bosque afastados. Mas o Dragão exige um terrível preço pela sua ajuda: uma jovem deve servi-lo durante dez anos, um destino quase tão terrível como perecer a Bosque.
A próxima escolha aproxima-se e Agnieszka tem medo. Todos sabem que o Dragão irá levar a bela, graciosa e corajosa Kasia, tudo aquilo que Agnieszka não é, e a sua melhor amiga no mundo. E não há forma de a salvar.
Mas Agnieszka teme as coisas erradas. Porque quando o Dragão chega, a sua escolha surpreende todos...


Conheci este livro por acaso, numa ida a uma livraria. Nunca antes tinha ouvido falar dele. Chamou-me a atenção a capa, mas mais a sinopse. É previsível – a escolha do Dragão surpreende todos; está-se mesmo a ver o que vai sair daí – mas as figuras do Dragão e do Bosque despertaram-me imenso interesse e curiosidade.

Logo no início, comecei a gostar da escrita da autora. É rica e detalhada, fazendo-nos transportar para o mundo que criou e fazendo-nos imaginar bastante bem os ambientes e as personagens, tal como eu gosto. Achei engraçados os nomes dos lugares do mundo – há um mapa no início do livro, coisa que eu adoro também – e os de algumas personagens, pois remetiam muito para países como a Polónia, a Croácia ou a Rússia, e eu supus que a autora tivesse raízes para esses lados – basta olhar para o seu sobrenome, seja como for, e não me enganei neste aspecto.

O início, porém, não estava a cativar-me, mesmo tendo a história vários aspectos que eu aprecio imenso, como a magia e o cenário mais medieval, com os seus castelos, reis e aldeias. Especialmente porque tinha acabado de ler Trono de Vidro, que tinha adorado e, por isso, a fasquia estava bastante elevada. Apesar de estar a gostar da escrita, do mundo e da premissa da história, o início foi um verdadeiro tormento, e isto devido às personagens.