30/03/20

We're Here Because We're Here

Via We Heart It.

No dia onze deste mês, estive num concerto. Imediatamente antes desta crise pandémica se ter instalado e de as nossas vidas terem virado do avesso. Eu não iria adivinhar. Nem eu, nem ninguém. Já se ouvia falar do vírus, mas nada comparado ao que se vive hoje, e a vida corria normalmente como sempre, apenas com a novidade dos cuidados redobrados com a desinfecção de mãos.

Estava quase certa que o concerto seria cancelado, mas não foi, para meu grande espanto. Mesmo assim, muitas pessoas decidiram não ir, e eu não as condeno e compreendo os seus motivos. Eu fui de qualquer das formas, uma vez que isto já tinha sido planeado há algumas semanas. Eu não vivo em Lisboa nem nos arredores, aliás, nem sequer vivo em Portugal continental. Pelo que não posso ir a Lisboa sempre que me apeteça; não posso simplesmente apanhar um comboio ou entrar no carro e meter-me nas auto-estradas. Eu fui a Lisboa de propósito para ir a este concerto e a outros eventos que calharam na mesma altura. Ora, se planeara tudo, se já lá estava e se o concerto iria em frente, eu não ia deixar de ir. Apesar de tudo isto ser discutível. Talvez tenha sido imprudente não só da minha parte e de todas as outras pessoas que para lá foram, mas também por parte da banda, dos produtores, do próprio local do evento. De qualquer forma, estou ciente do perigo e, assim que regressei a casa no dia imediatamente a seguir, tendo noção da quantidade de locais a que fui e da quantidade de pessoas com quem contactei durante aqueles poucos dias, sujeitei-me ao isolamento social. Já lá vão mais de quinze dias.

Podem julgar-me. A verdade é que não me arrependo de um único segundo passado no Capitólio naquela noite. Aliás, o meu grande arrependimento seria estar em Lisboa e decidir faltar ao concerto.

24/03/20

Um

Nem acredito que já se passou um ano desde o pedido de namoro. Lembro-me perfeitamente daquele dia, quando, há precisamente um ano, entrei naquela casa na minha inocência e vi velas e balões, com uma música romântica ao fundo. Era algo de que não estava mesmo, mas mesmo nada à espera. Mas eu não hesitei no momento de aceitar, pois, no fundo, eu sabia que nós dois podíamos construir algo maravilhoso juntos. Houve sempre algo em ti. Houve algo que me cativou, e continuou a cativar-me e a fascinar-me enquanto nos conhecíamos através de mensagens. Engraçado como, pouco tempo antes, eu tinha escrito um texto sobre aquilo que eu procurava numa pessoa. Depois, apareceste tu. Como se fosses um presente; como se fosse o universo a dizer-me Aqui tens o que pediste.

Este ano passou tão rápido. Mas não foi preciso um ano inteiro para te tornares na pessoa mais especial que já conheci. Em menos de um ano, tornaste-te no melhor que eu tenho na vida e naquilo que mais tenho de precioso. Fizeste com que a vida se tornasse mais bonita e colorida e com que eu própria me tornasse numa pessoa melhor, uma pessoa mais feliz, fazendo com que o melhor de mim viesse à tona. És uma pessoa tão incrível, tão linda por dentro – e por fora também, como é óbvio –, que é o que nunca ninguém foi para mim e que eu amo como nunca antes. Amo poder conversar contigo sobre tudo o que quiser; amo que me faças rir; amo que sejas a pessoa em quem mais confio e com quem me sinto mais à-vontade, com quem posso ser eu própria; amo que tenhamos tanto em comum; amo acordar com as tuas mensagens de bom dia, ou que seja eu a mandar-te uma mensagem de bom dia em primeiro lugar, dependendo de quem acorda primeiro; amo que me compreendas tão bem; amo tudo aquilo que fazes, desde o tocar guitarra e os teus cozinhados – muitos dos quais ainda estou à espera de provar – às tuas surpresas tão boas; amo o teu jeito romântico e carinhoso; amo pensar em ti sempre que leio um texto romântico ou ouço uma música com uma letra romântica; amo que lutes ao meu lado contra a distância que nos separa e que, tal como eu, estejas disposto a tudo para que demos certo; enfim. Este foi um ano de partilha, de descoberta, de momentos mágicos e inesquecíveis, de apoio e cuidado, de construção, de cumplicidade, de confiança, de amor, e só te tenho a agradecer por tudo. Pelo que me dás, pelo que me fazes ser, por estares sempre presente, ainda que fisicamente distante. Por fazeres parte da minha vida, por me teres feito acreditar no amor novamente, por me dares a conhecer e me fazeres viver um amor que eu nunca tinha vivido antes, com momentos, gestos e palavras que eu nem achava possível que viessem a acontecer comigo. Desculpa se não sou tão romântica e expressiva como tu – incluindo o facto de não ter grande jeito para este tipo de textos (os teus são sempre mil vezes mais bonitos) – e se fico facilmente sem jeito quando és assim, mas é a minha maneira de ser e ando a tentar melhorar isso. Desculpa se alguma vez te desiludi e te decepcionei. Mas aquilo que mais lamento é o facto de, ao longo de um ano de namoro, não poder ter estado contigo tanto quanto desejaria, apesar de nenhum de nós ter culpa de vivermos em locais diferentes e a cerca de quarenta minutos de distância. No entanto, sei que isto é algo que nos fortalece e que nos faz valorizar ainda mais esta relação e o tempo que passamos juntos. E sei que este é um obstáculo que vamos contornar e que não estará no nosso caminho para sempre.

Nunca me passou pela cabeça que, no nosso primeiro aniversário, estivéssemos fisicamente separados não por causa da distância de todos os dias, mas sim devido à situação em que nos encontramos agora. Quando tudo isto passar, juro-te que a primeira coisa que vou fazer é ir ter contigo, dar-te um abraço tão grande e todos os miminhos do mundo, e que só te vou largar na hora de ir embora. Este é só mais um obstáculo, que iremos ultrapassar juntos. E, quando o ultrapassarmos, celebraremos. E celebraremos todos os outros anos que estão para vir, no nosso dia, juntos, sem ser através de uma videochamada.

Obrigada por tudo, por tudo deste primeiro ano de muitos. Enches os meus dias de felicidade, fazes com que me sinta tão sortuda e tão grata, e só quero continuar a fazer-te feliz, como tanto mereces – e tu mereces o mundo –, e a arrancar-te sorrisos todos os dias, esses sorrisos e esses olhares ternurentos que me derretem completamente. Ainda temos tanto pela frente, temos toda a vida para construirmos e vivermos o nosso amor, felizes, e eu tenho a certeza que o melhor ainda está para vir. E também tenho a certeza que és tu quem eu quero ao meu lado. Agora que te encontrei, não te quero largar ❤

22/03/20

Uma questão de tempo


Estou de quarentena há uma semana e dois dias, e, até agora, tudo tem estado bem. Estou bem de saúde e estou bem a nível psicológico – o facto de estar em isolamento e entre quatro paredes ainda não me pôs doida. Nos primeiros dias, o tempo esteve bom, e isso soube bem. O sol parece conferir algum ânimo e alguma esperança. Parece tornar os dias mais fáceis e suportáveis. Até porque pude desfrutar de algum ar fresco na varanda. Passei estes dias, sobretudo, a ler lá fora, a usufruir do sol. Até almocei lá fora, dado o tempo ter estado tão convidativo. Evitei passar os dias de pijamas e vesti roupas frescas, até porque o sol e o calor pediam-no. Também já desenhei um pouco nestes dias, fiz algum exercício, fui ao supermercado uma vez porque assim teve que ser e fiz algumas limpezas aqui em casa. Durante este período, quero poder desenhar muito mais, até porque estou cheia de ideias; quero poder escrever em força, tanto aqui no blog como nas minhas histórias; quero tirar o pó à minha PS4 e jogar alguns dos jogos que estão em stand-by há demasiado tempo; quero pintar os móveis do meu quarto e decidir o que fazer em relação ao meu quarto para torná-lo mais confortável e agradável para mim.

Portanto, está tudo bem. Não encaro este período como um isolamento forçado, como clausura ou como castigo, nem o vivo com frustração. Para mim, não é algo tão anormal, pois já estou tão habituada a estar em casa. Sempre gostei de estar em casa, uma vez que era o único lugar onde podia fazer todas as minhas actividades favoritas – onde podia jogar videojogos, onde podia escrever, desenhar, ler em silêncio, ouvir as músicas de que gostava. Para além disso, estou desempregada, pelo que estar em casa tem sido, infelizmente, habitual.

Mas, como é óbvio, existem grandes diferenças. A primeira é o facto de não poder sair, a não ser devido a extrema necessidade. Não poder estar com o meu namorado – de quem estou a morrer de saudades –, não poder ir tomar um café, não poder ir passear, enfim. A segunda…é que esta é das poucas vezes em que estou em casa e estou de consciência tranquila.

04/03/20

Fevereiro

Fevereiro foi um mês estranho. Agridoce. Começou de uma forma tensa, pesada e triste. Logo depois de o mês de Janeiro ter terminado com saldo positivo e de eu estar algo esperançosa. O mau começo de Fevereiro pareceu como que um castigo. Quanto ao resto do mês, a maioria dos dias foi passada em casa. Trabalhei pouco neste mês. Muito pouco, mesmo – é uma das desvantagens de se ser prestadora de serviços. E os planos também foram poucos, devido a diversas circunstâncias.

No entanto, o facto de ter trabalhado muito pouco e de, ao contrário de Janeiro, ter passado mais tempo em casa do que fora dela, permitiu que me dedicasse a outras coisas. Fiz alguns desenhos novos e tive umas quantas ideias para outros. Tive uma tarde em que regressei à escrita em força, escrevendo quase três mil palavras. E voltei a pegar em coisas antigas, tentando trazer à tona um novo projecto, o meu backup plan, do qual falarei mais tarde, quando tudo já estiver mais encaminhado.

Em Fevereiro revi a saga Harry Potter – vamos só fingir que não saltei um dos filmes porque ainda o tinha bem presente na memória e porque o que eu queria mesmo, mesmo era rever os últimos (uma vez que mal me lembrava deles), sim? Comecei a ler um novo livro, Trono de Vidro, e quase terminei-o nesse mesmo mês – terminei-o ontem. Já nem me lembro da última vez que tinha devorado um livro assim, tão rapidamente, e em que tinha ficado tão entusiasmada com a leitura. Ouvi o novo álbum dos Delain, uma das minhas bandas favoritas, do qual gostei bastante – embora tenha, como é óbvio, que o ouvir mais vezes para dizer mais qualquer coisa a seu respeito. Passei tardes maravilhosas com o R., uma delas num dia fantástico de sol à beira-mar e com direito a um adorável pôr-do-sol. Apesar de não termos celebrado o dia dos namorados um com o outro, estivemos juntos uns dias antes e eu ofereci-lhe um pequeno miminho de qualquer das formas. Em troca, ele fez-me a surpresa mais querida de sempre. Assim, apesar de Fevereiro ter começado de forma triste e cinzenta, também trouxe consigo, literalmente, dias de sol e que fizeram lembrar o verão.

Para além de tudo isto, em Fevereiro ganhei, finalmente, coragem para tomar decisões importantes. Agora resta-me a parte mais difícil: acreditar e ter confiança em mim.

Apesar de não ter começado da melhor maneira, terminei Fevereiro de forma leve e plena. No entanto, agora, no início de Março, estou novamente para baixo, com pensamentos negativos a ocuparem-me a mente, em parte devido ao facto de este ser o meu mês de aniversário e de não gostar propriamente de fazer anos. Por isso, acho que ninguém consegue imaginar o esforço que estou a fazer para escrever isto e, mais do que isso, para tentar encontrar os pontos positivos dos últimos dias.