12/09/18

Coisas boas do mês - Agosto de 2018


Via WeHeartIt

Agosto teve momentos maus. A perda da minha tia, lutas interiores, pensamentos negativos. Momentos que me deixaram em lágrimas e que pareceram durar imenso tempo. Tanto tempo, ao ponto de eu pensar que foram apenas esses maus momentos que caracterizaram este mês. Fiquei, por isso, com a sensação de este mês não me ter trazido nada de bom. Ainda bem que me obriguei a fazer este exercício mental – e ainda bem que, por vezes, tiro fotos aleatórias com o telemóvel, pois é muitas vezes, ao vê-las, que me recordo dos melhores dias.



Dias no campo


O mês começou fora de casa. Não fui para longe, apenas para fora da cidade, para uma casinha de férias “emprestada”. E soube-me bem. Soube-me bem porque não pensei em nada. Esqueci as minhas preocupações em relação ao futuro e à minha situação actual; esqueci o “mundo real” e senti-me realmente de férias. Afastei-me um pouco das redes sociais e limitei-me a aproveitar o ar livre, a saborear boas refeições, a desfrutar da companhia das pessoas que estavam comigo e a deliciar-me com um bom livro. Foram, contudo, dias que souberam a pouco e gostava de ter ficado mais tempo. E sei perfeitamente porquê: para continuar longe do “mundo real”; para continuar a desacelerar e a manter a cabeça livre de preocupações e de maus pensamentos.


Noite branca

A Festa Branca já é uma tradição na minha cidade: as ruas do centro histórico fecham ao trânsito, há diversos palcos espalhados por elas, há comida e bebida e toda a gente tem que ir vestida de branco.

A festa em si não foi, na minha opinião, nada de extraordinário e achei que estava muito mal organizada, no sentido de não se saber onde raio estavam os palcos e de não se saber quais eram as bandas e os artistas que tocavam em cada um, nem a que horas tocavam. Apenas quero destacar esta data por uma questão de “quase” amor-próprio e por ser, digamos, uma espécie de conquista, de avanço, para mim. Quis sair de casa e quis ir a uma “festa”, à noite. Quis arranjar-me para sair, e senti-me bem. Gostei de me arranjar para sair. Isto pode ser uma coisa banal para muita gente e nada digna de registo, mas, para mim, uma pessoa que passou semanas a odiar-se a si própria e a querer esconder-se e refugiar-se do mundo, foi qualquer coisa. Foi como um empurrãozinho para não voltar a ter medo e para tentar voltar a aceitar-me.


Trabalho

Bem queria dizer que consegui um emprego, mas não, não é disto que se trata este tópico. O que se passou foi que fui chamada pela empresa onde trabalhei para realizar um trabalho da minha área. Foi algo que já me tinham falado e com o qual concordei no momento, pois assim não estaria completamente parada e ainda podia ir ganhando uns trocos. No entanto, senti-me mal ao receber a chamada a pedirem-me que fosse trabalhar. Isto porque não queria regressar àquele lugar. E estava receosa de voltar a ver os meus colegas. Receosa de ser vista como uma intrusa e que me tratassem de uma forma estranha, sem a mesma confiança de antes. Enfim, parvoíces.

Aquilo que me foi pedido foi feito numa tarde e numa manhã. Houve algumas melhorias na empresa; houve coisas que se mantiveram na mesma e que quase me enervaram, mas que se resolveram. E, quanto aos meus receios, foram mesmo desnecessários.

Quando se resolveu tudo o que era preciso de modo a poder fazer o meu trabalho – ou seja, quando consegui tudo o que era necessário –, trabalhei sem stress. Apercebi-me de como é completamente diferente quando fazemos apenas o trabalho que nos compete, ao invés de estarmos pouco a pouco a parar e a deixá-lo em stand-by para irmos ajudar ou socorrer um colega ou outro – que era o que me acontecia enquanto trabalhava lá. Portanto, sim, fiz única e exclusivamente o meu trabalho, sem stress, sem ser incomodada. E isso soube bem.

Bem ao ponto de ficar com saudades de trabalhar. Não de trabalhar naquele lugar, atenção. Apenas de trabalhar. Mas isto será tema para uma próxima publicação.


Reencontros

Agosto foi um mês de reencontros, tanto com familiares, como com amigos.


No que toca à família, houve diversos almoços, jantares, tardes de praia e uma manhã passada no ilhéu de Vila Franca – um dos meus lugares favoritos de São Miguel para passar um dia de Verão. Adorei, especialmente, esta manhã. Já não me lembrava do quanto gostava de nadar e de mergulhar no mar – de mergulhar bem fundo, junto às rochas, e de abrir os olhos debaixo de água. Outro dos momentos que mais gostei foi de um almoço na varanda da casa de férias dos meus tios, em cima da praia e tão descontraído, com um arroz de lapas delicioso. Infelizmente, parece que foi preciso um acontecimento trágico – a perda da minha tia – para nos reaproximar. Mas, pensando bem, esta reaproximação “forçada” – no bom sentido – pode ter servido para pensarmos em juntarmo-nos mais vezes.


Houve, também, alguns encontros com o outro lado da família, embora não muitos. Destaco o nosso dia nas Furnas, onde tomámos um café num sítio giro, passámos a tarde solarenga a conversar à sombra das árvores e jantámos o famoso cozido. Para quem não sabe, o “cozido das Furnas” é um cozido à portuguesa cozinhado...num buraco no chão. É o calor da própria terra que coze os alimentos. Na minha opinião, fica muito mais saboroso que o cozido à portuguesa tradicional.

Com amigos, houve um almoço, diversos cafés e uma saída à noite; houve conversas mais ou menos sérias, desabafos, risadas e algumas surpresas. Uns encontros com uns, outros com outros, mas, seja como for, foram bons momentos com pessoas que já não via há algum tempo.


Progressos


Ao longo deste mês, foquei-me e dediquei-me a algo que me propus a aprender: o lettering. Enchi folhas e folhas de traços básicos, e outras tantas com letras individuais. Parecia que tinha regressado à primária e que estava a aprender a escrever novamente, mas adorei – e continuo a adorar – todo o processo de criação de palavras e de frases com letras bonitas e com movimento e elementos decorativos. Não é tão simples como parece à primeira vista; é um processo minucioso e que requer muita paciência e, como não podia deixar de ser, muita prática. Mas, com gosto e com os materiais certos, tudo se torna mais fácil. É giro, interessante e divertido, e até chega a ser relaxante. Agora, começo a criar as primeiras frases. Veremos até onde isto me irá levar.


Cool places in town

Conheci dois sítios muito giros este mês, em plena baixa da cidade.

Um deles é um bar alternativo. É mesmo o meu tipo de bar, com música ambiente, uma boa decoração e várias mesas para se conviver. Tomei uma piña colada que mais parecia um milkshake e que estava deliciosa. Para mim, o ideal para uma saída à noite com amigos é mesmo isto: um bar calmo e agradável onde se possa conversar normalmente, e não um lugar barulhento e pilhado de gente – em que a maioria está “mais para lá do que para cá”, se é que me entendem.

O outro local é uma coffee shop. Também com uma decoração muito gira e alternativa, e com um espaço acolhedor, pareceu-me uma óptima escolha para passar umas horas a trabalhar no portátil ao mesmo tempo que se saboreia um bom lanche. Não vi o aspecto das bebidas de cafetaria, mas alguns dos bolos em exposição chamaram-me a atenção, por serem diferentes e serem confeccionados com ingredientes menos tradicionais. Mas a razão de eu ter lá ido, motivo pelo qual ouvi falar deste lugar, foram os gelados. São gelados de fruta, mas que são cem por cento fruta, como se se descascasse a fruta e a preparasse de modo a obter-se a forma de um triângulo e a congelasse em seguida. Existe a opção de se mergulhar o gelado em chocolate, ficando-se com uma cobertura, mas acho que isto “estraga” um bocado o conceito e o próprio gelado. Comi o de figo e fiquei rendida. É tão doce e tão saboroso, e é tão estranho achá-lo e dizer isto de um produto que é única e exclusivamente fruta! Eu acho que é estranho, pois não sou propriamente uma grande fã de fruta. Mas fiquei fã destes gelados e do próprio espaço, ao qual irei, definitivamente, regressar, desta vez para testar as bebidas quentes e os bolos.

1 comentário:

  1. Há sempre coisas boas no meio das más mas por vezes ficam esquecidas. Estas publicações são um excelente exercício para vermos o lado bom das coisas :)

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